Pensamento racional sobre as práticas desportivas: iniciativas de sobrevivência de um clube diante da pandemia

A realidade da juventude no futebol antes e depois da pandemia e as ações que o Paysandu Clube tem tomado em benefício de seus torcedores e colaboradores

Permeia-se, pelo pensamento lúdico de muitos jovens o vislumbre e até a obsessão em se tornar um jogador de futebol. Talvez essa busca esteja pautada justamente pelas condições sociais, as quais, muitos deles, vivenciam diariamente.

Condições estas que não permitem a emancipação clara de pobres, pretos e mulheres, permitindo que as classes econômicas, de menor poder aquisitivo, uma idealização romântica de que, por intermédio do esporte, darão mais dignidade aos seus familiares e amigos.

Contudo, um levantamento realizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e divulgado no segundo semestre de 2017 expõe a realidade dos atletas profissionais de futebol, os quais 82,80% dos recebem até R$ 1.000,00.

Enquanto um estudo mais recente da FGV, em parceria com a entidade máxima do futebol, a FIFA, discorre que apenas um seleto grupo de jogadores de futebol, cerca de 4%, possui vencimentos acima dos vinte salários mínimos.

Dentro desses parâmetros, devemos estabelecer um parêntese entre empregador e empregados. Há a necessidade de evidenciar que muitos clubes do país apresentam períodos de funcionamentos sazonais, visto que suas atividades estão intimamente ligadas aos campeonatos regionais, sendo, relativamente, de curtos períodos. Essa lógica de penúria obriga aos atletas a busca por uma fonte de renda secundária. 

Geralmente essa conjuntura é comum para uma quantidade excessiva de agremiações, sendo essas práticas notabilizadas, em especial,  nas regiões mais desiguais do país. Analisando de forma suscita e contundente, há apenas 40 clubes que possuem um calendário anual completo para cada temporada.

Após a pandemia, haverá a oportunidade de realizarmos uma mudança estrutural para adequar e padronizar os clubes, bem como seus profissionais. A finalidade de tais alterações é para que as práticas desportivas estejam definidas sobre um solo mais igualitário e justo.

Estas ações afirmativas, de certa forma, foram iniciadas, entretanto dependem de uma maior agilidade e intensidade no decorrer do processo.

Encontra-se inserido nessas circunstâncias o Paysandu S.C, desde seu rebaixamento. ao fim do campeonato brasileiro da segunda divisão de 2018. A instituição está produzindo uma diminuição de receitas e uma crise econômica em decorrência desse fato sem precedentes.

Em razão disso, passou a perder uma receita de, aproximadamente, 10 milhões de reais. Esta diminuição é baseada nos aditivos de transmissão, menor quantidade de jogos e, consequentemente, uma queda na adimplência do seu programa de sócios torcedores.

O clube vivencia um panorama de possibilidades desde 15 de março deste ano, data do último jogo oficial da agremiação, e tem buscado alternativas para que o COVID-19 não seja tão rigoroso para aqueles que dependem de seu funcionamento a fim de colocar o pão de cada dia em casa.

Por hora não surgem noções concretas sobre o retorno às atividades e, mesmo que haja um cenário mais favorável, as estatísticas apontam que haverá uma restrição de público  nas praças desportivas.

Diante desse panorama, a CBF disponibilizou, no início do mês de abril, um auxílio financeiro num total de R$ 19.milhões de reais para os clubes das séries C e D de futebol masculino, às séries A e B de futebol feminino e, também, de todas as federações regionais de futebol. O Paysandu recebeu R$ 200.000,00 para sanear suas despesas emergenciais.

O Paysandu lançou em abril a campanha “Jogo da Vida”, onde serão exibidos lances da histórica vitória do Paysandu sobre o Cruzeiro no jogo de volta da final da Copa dos Campeões de 2002, além da apresentação da banda SambaPapão. Tal projeto visa uma injeção de receitas nesse período pandêmico para atender as demandas financeiras do clube.

Assim como liderou um plano, junto ao governo do Estado, para liberação de R$ 2,4 milhões aos clubes do Pará, que irão disputar o campeonato brasileiro. O plano prevê a exposição da marca do banco do estado nas camisas oficiais dos times, placas de publicidade nos jogos, além da disponibilização de camarotes nos estádios e ingressos nas partidas.

“Esse projeto é parte de um plano de sobrevivência nesse momento de crise, principalmente, para o Campeonato Brasileiro da Série C. Ele prevê uma série de contrapartidas inéditas nesse relacionamento dos clubes com o Governo do Estado, que justificam esse incremento de valor, contando com a sensibilidade do governador”, disse o presidente do Paysandu, Ricardo Gluck Paul.

Por fim, nossa narrativa sobre as soluções que o clube tem buscado para sobreviver durante o ciclo de pandemia não incita, de modo algum, seus adeptos a irem de encontro as medidas de mitigação. Vemos, claramente, em todas as plataformas virtuais do clube um sólido, incentivo ao cumprimento de todas as recomendações dos órgãos competentes.

Recentemente faleceu Paulo Morais, que ocupou o cargo de presidente da Assembleia Geral, vice-presidente e grande benemérito. Após a confirmação do óbito e, buscando respeitar todas as demais vítimas do vírus, por intermédio do consenso dos quatro poderes (Diretoria Executiva, Conselho Deliberativo, Conselho Fiscal e Assembleia Geral) o clube decretou, a partir de quarta-feira (13), estado permanente de luto enquanto perdurar a COVID-19.

Jorge Paulo

Jorge Paulo

Professor e Graduando do Curso de Ciências Contábeis

Deixe uma resposta