O bolsonarismo e as transformações no racismo brasileiro

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A utilização de uma bandeira com um brasão ucraniano em uma manifestação no último domingo (31/5) Foto: Ettore Chierguini/Estadão.

Esse texto breve e direto é um esforço didático de uma explicação óbvia e necessário para que cheguem até os irmãos e irmãs que estão cegos e presos em suas ignorâncias, e que por isso, não conseguem ver questões de classe e de raça que definem este projeto de poder em curso.

Enquanto um militante rebelde me sinto na responsabilidade de fazer provocações com fundamentos. Como dizia Martin Luther King “nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam”.


E que se importar com as outras pessoas não é apenas uma questão de simpatia, mas também, uma prática pedagógica de solidariedade e busca pela justiça social, portanto, “oh, meu corpo, faça de mim um homem que sempre questiona” (Frantz Fanon).

Feita essa breve introdução, peço licença para pegar emprestado as reflexões de Jessé de Souza, para este Sociólogo, podemos dizer que no bolsonarismo, são as ideias e as práticas da extrema direita americana abertamente racista que estão sendo operadas no Brasil.

E eu ainda faço um complemento utilizando Michel Foucault , são dispositivos biopolíticos de poder.


Para Jessé de Souza, o racismo brasileiro passa por uma transformação. Em vez de consolidar a união das classes altas contra os pobres, como no passado, ele serve agora de combustível para a “guerra entre os pobres” que o bolsonarismo institui.

Concordo com este autor, quando ele destaca que Bolsonaro é o representante político máximo das milícias organizadas, um tipo de organização criminosa que vive da exploração do medo dos mais pobres, essa guerra é, para Bolsonaro, politicamente funcional.

Mas, não podemos esquecer que foi a extrema direita americana que lhe forneceu as ideias, as práticas, as estratégias – e, com toda a probabilidade, também o dinheiro – para o assalto ao poder de Estado no Brasil.


Se você é não é da elite e não é branco e defende esse projeto de poder é porque a sua ignorância não lhe permite compreender aquilo que Mbembe (2019) definiu como “dispositivos de violência ” contra o seu próprio corpo.

Afinal, você é só um homem-corpo calculado sobre a lógica do risco, e, portanto, não se esqueça que a sobrevivência dos outros depende da sua morte.

Isso não e um problema de esquerda e nem de direita, é um problema de ética e de moral. Reflita!

Aiala Couto

Aiala Couto

Doutor em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental pelo Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU-NAEA-UFPA);

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