Ao contrário do que defende Bolsonaro, para Teich o isolamento horizontal é a melhor estratégia para o momento

Mandetta
Foto: G1

Quem ganha com a saída de Luiz Henrique Mandetta?

Em meio à maior crise de saúde das últimas décadas, o conflito entre egos e interesses falou mais alto. De um lado, o presidente do Brasil e sua perspectiva única de entender a pandemia, que por sinal, contraria o restante do mundo. E do outro, o ex-ministro da saúde Luiz Henrique Mandetta, seguindo as recomendações, dos médicos, cientistas, pesquisadores, organizações de saúde, e demais seguimentos ligados à pauta.

O resultado desse conflito de pensamentos gerou inúmeros episódios públicos de contradição, Bolsonaro minimizava a pandemia, enquanto Mandetta seguia preocupado com o desdobramento dos casos de covid no Brasil. E isso se arrastou por meses, chegando ao seu ápice com a demissão do então ministro da saúde.

Não seria problema algum o presidente trocar seu ministro, não fosse a atual conjuntura.

A demissão do então ministro nos leva aos seguintes questionamentos: quem ganha com isso? O país e ou o próprio presidente? Essas perguntas são pertinentes, já que Mandetta vinha desenvolvendo um bom trabalho, inclusive sendo elogiado por diversos seguimentos da sociedade, e até mesmo por líderes da oposição.

Vale ressaltar que Mandetta nem estava fazendo algo absurdo, mas para um governo que se mostra medíocre e genocida, é bom parabenizá-lo pelo seu esforço e dedicação frente à pasta.

Talvez a ascensão de Mandetta tenha “ameaçado” o ego do presidente, fato que já havia ocorrido com Moro no passado. Sempre que alguém ganha evidência, o presidente busca uma forma de ofuscá-lo. Mais uma vez a impressão que fica é que a demissão do ex ministro não parece ter ocorrido a partir de uma decisão técnica.

Quem é o Substituto?

Fonte:BBC Brasil

Nelson Luiz Sperle Teich é oncologista e empresário do setor da saúde. Nascido no Rio de Janeiro, o médico se formou pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e se especializou em oncologia no Instituto Nacional de Câncer (Inca).  Teich também é doutor em Ciências da Saúde – Economia da Saúde pela Universidade de York, do Reino Unido, e prestou consultoria nesta área no Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo.

O oncologista tem publicado artigos na rede profissional LinkedIn sobre o coronavírus. Em um deles, denominado “COVID-19: Histeria ou Sabedoria?”, o autor fala sobre a polarização que tomou conta do Brasil no momento.

“A discussão sobre as estratégias e ações que foram definidas por governos, incluindo o brasileiro, para controlar a pandemia de covid-19 mostra uma polarização cada vez maior, colocando frente a frente diferentes visões dos possíveis benefícios e riscos que o isolamento, o confinamento e o fechamento de empresas e negócios podem gerar para a sociedade”, escreveu.

“É como se existisse um grupo focando nas pessoas e na saúde e outro no mercado, nas empresas e no dinheiro, mas essa abordagem dividida, antagônica e talvez radical não é aquela que mais vai ajudar a sociedade a passar por esse problema”, afirma, ainda, o artigo.

Já no artigo “COVID-19: Como conduzir o Sistema de Saúde e o Brasil”, Teich afirma que o isolamento horizontal, é a melhor estratégia para o momento.

“Diante da falta de informações detalhadas e completas do comportamento, da morbidade e da letalidade da covid-19, e com a possibilidade do Sistema de Saúde não ser capaz de absorver a demanda crescente de pacientes, a opção pelo isolamento horizontal, onde toda a população que não executa atividades essenciais precisa seguir medidas de distanciamento social, é a melhor estratégia no momento. Além do impacto no cuidado dos pacientes, o isolamento horizontal é uma estratégia que permite ganhar tempo para entender melhor a doença e para implantar medidas que permitam a retomada econômica do país”.

A partir do que foi exposto pela BBC Brasil, é possível perceber que Teich já se posiciona de forma contrária ao Presidente. Deste modo, outros questionamentos entrarão em discussão, como: o novo ministro conseguirá manter sua defesa em prol do isolamento social? Caso a resposta seja afirmativa, Teich será demito após dar entrevistas defendendo seu ponto de vista? São previsões impossíveis de se fazer, diante de um governo imprevisível.

 O fato é que Mandetta foi demitido por defender a ciência e a vida dos brasileiros, algo que é inconcebível para o atual governo.

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