A Pérola do Caeté em questão: perspectivas, possibilidades e iniciativas

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Bragança chegou a 898 casos confirmados de Covid-19. Fonte: Divulgação/ Prefeitura de Bragança

De acordo com os dados disponibilizados pelos órgãos competentes ligados ao ministério da saúde o estado do Pará ocupa, por ora, a quinta colocação entre os estados brasileiros com maior incidência do novo coronavírus em números brutos.

Entretanto após um mês de maio conturbado e cercado de perdas irreparáveis, surgem algumas projeções para junho que apontariam um novo paradigma na questão sanitária do estado.

Caminha-se, talvez, para um equilíbrio no sistema de saúde da capital após um período de flerte constante com o caos. Todos os fatores contribuíram para o governo lançar uma política extrema de mitigação, lockdown, consentindo no bloqueio total das atividades não essenciais visando conter o avanço da curva de infectados e amenizar o colapso nos centros de saúde.

Medida que em sua plenitude tiveram alguns percalços, fundamentados por alguns elementos; tais como a  falta de efetivo para controlar todos os locais abrangidos pelo decreto; a informalidade que levava as pessoas a saírem de casa; e a negligencia de cidadãos contrários a qualquer iniciativa em prol da vida e contrárias ao seu político de estimação.

Medida essa que perdurou entre os dias 07/05/2020 até o último domingo (24), abarcando dezesseis municípios do estado. No que tange a sua real eficiência, apenas após a pandemia e através de um estudo acadêmico poderá se afirmar de fatos quantas vidas foram salvas, ou não.

Todavia há uma tendência de redução no avanço do vírus, como falado anteriormente, e a princípio no mês de junho haja um quadro mais estável na região metropolitana de Belém.

– Percebi que quase a todo o momento fazemos serviço próximo a hospitais e diminuiu muito a procura (por atendimento), tenho conhecidos que trabalham UPAS e outros locais que também passam essa informação. – Relatou o policial militar Erikson Assunção.

Válido elencar para os cidadãos dos municípios onde não há mais lockdown, sobre a necessidade da população permanecer em isolamento social.

Dados convergem para a migração do vírus SARS-CoV-2 para os municípios mais distante da capital paraense, de forma que há a necessidade do estado subsidiar todo suporte necessário para evitar mais perdas irreparáveis.

Valendo-se do pressuposto que a estrutura nessas cidades está aquém das condições e estruturas necessárias para amparar os municípios no combate a pandemia.

A cidade de Bragança, pode ser um exemplo eficaz ao analisarmos essa lógica, inclusive nesta última terça-feira (26) houve a extensão do Decreto Municipal 115/2020, de 12 de maio de 2020 de suspensão de todas as atividades não essenciais, lockdown, até 31/05.

Trazendo danos impares para a economia local, todavia os poderes legislativos e executivos tem zelado pela vida acima de qualquer outra questão, e esse caráter louvável e principalmente humano dos poderes deve ser exaltado.

Desde a confirmação dos dois primeiros casos de Covid-19 no município, em 14 de abril, e mesmo cercado de limitações os órgãos competentes tem buscado o diálogo para atender as demandas sociais, econômicas e sanitárias da pérola do caeté.

Baseando-se no fato da cidade depender da pesca para subsistir, a prefeitura em consonância com as secretarias de Aquicultura, Meio Ambiente e Saúde realizou a implementação do conjunto de normas e ações preventivas para prática, transporte e abastecimento seguro do mercado interno.

O movimento próximo no bairro do Centro e em especial próximo a Travessa João XXIII diminuiu gradativamente ao longo da pandemia.

Atualmente o comércio se encontra fechado em detrimento do decreto 115/2020, devido a prefeitura enxergar como necessário essa medida de mitigação para que o sistema de saúde não entrasse em colapso e para preservar os cidadãos, alguns inclusive não acreditavam que o Sars-Cov-2 chegaria ao município.

“Conviver numa conjuntura como essa que a gente nunca viveu, geralmente o povo do interior quando enxerga uma situação como essa pensa que nunca irá chegar aqui, mas chegou e em todos os lugares; sendo algo novo para a população do município e a sociedade como um todo não pensa que isso poderia acontecer um dia” afirma o acadêmico de história e cidadão bragantino José Silva.

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Fonte: Divulgação/ Prefeitura de Bragança

Como o município não tem condições sanitárias para realizar uma testagem em massa, utiliza como ferramenta para confirmação de novos casos a testagem rápida nos cidadãos que estão manifestando os indícios característicos da Covid-19.

“Esse número pode ser irreal pelo fato que tem muitas pessoas que relatam que desenvolveram sintomas leves e médios, e não procuraram postos de saúde para realizar a confirmação” complementa José Silva.

A gestão municipal escolheu o Hospital Santo Antônio Maria Zaccaria como o alicerce para os casos de maior complexidade do município, devido ao centro dispor de uma infraestrutura maior em relação ao demais hospitais, centros esses que também estão à disposição para o enfrentamento da crise.

E também encontrou como medida combate ao novo coronavírus, a higienização de ambientes públicos, distribuição gratuita de máscaras e informações desde o surgimento dos primeiros casos.

Por fim, podemos citar as ações de adiamento o decreto municipal nº 70/2020, de 08/04/2020 que prorroga o pagamento de tributos municipais, tais como o IPTU; assim como as campanhas para que a população refletisse antes de compartilhar qualquer informação e evitasse a circulação de notícias falsas e que geralmente levam a população a histeria.

 

Jorge Paulo

Jorge Paulo

Professor e Graduando do Curso de Ciências Contábeis

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