A Pandemia: De gripezinha a ceifadora de vidas

Nelson
Previna-se!

Atualmente, o mundo está recluso em uma bolha de isolamento social e geopolítico, com países disputando ferozmente itens necessários para o combate ao novo coronavírus (Covid -19), deixando de lado alianças para benefício próprio, como tem feito os Estados Unidos da América (EUA), proibindo vendas de produtos, confiscando itens que passam por seus aeroportos e “furando” a fila para comprar tudo que precisa, resultado disso, vários países, entres eles, o Brasil, saíram prejudicados pela atuação mesquinha da maior potência do mundo. Essa sem dúvida é apenas uma das facetas do mundo capitalista.

Mas o que levou a essa atual conjuntura, seria essa a pior pandemia da história? Talvez ainda seja cedo para colocar em tal patamar, outras doenças mundiais tiraram milhares de vidas, como peste bubônica, considerada, historicamente, a causadora da Peste Negra, estima-se que tenham morrido entre 75 e 200 milhões de pessoas no século XIV.

Engana-se quem pensa que essa tenha sido a primeira pandemia global, a Varíola é uma doença que tem registros a mais de três mil anos, e infectou grandes nomes como o faraó egípcio Ramsés II, a rainha Maria II da Inglaterra e o rei Luís XV da França. Em conjunto com Cólera, Gripe Espanhola, Gripe Suína (H1N1), mataram milhares de pessoas pelo mundo. O coronavírus ainda tem uma taxa de mortes baixa comparadas a essas, mas sua velocidade de contaminação e seus impactos na economia, política e organização mundial, devem durar anos para cicatrizar.

Algumas feridas abertas em decorrência do coronavírus, talvez demorem mais tempo para sarar, como as relações entre muitos países, que vem se deteriorando diante de medidas tomadas por alguns países, como o EUA. O resultado disso será visto em longo prazo, como criações de novas alianças, outras serão revistas, e o mundo passará de forma geral, por uma nova organização em suas esferas políticas, econômicas, e culturais, como a disseminação de medidas sanitárias mais rígidas.

É cedo para apontar culpados, e nem nos cabe isso, mas a negligência e subestimação do coronavírus por parte de lideres mundiais levaram a rápida disseminação do vírus pelo mundo. Contrariando inúmeros alertas feitos por cientistas, organizações de saúde, que chamavam atenção para uma rápida resposta a doença, que passava a dar indícios que se transformaria em uma pandemia global.

Com resultado, dessa “vista grossa” a grande maioria dos países demoram a agir, no combate ao vírus, com receio dos impactos na economia e em decorrência disso, hoje, contam na casa de milhares seus infectados e mortos.

O mundo registra atualmente, cerca de 1.961.965 milhões de casos confirmados, 471.971 mil casos recuperados e 125.476 mil mortes confirmadas até as 19:43 horas do dia 14 de abril de 2020. Contundo, esse é um número bem aquém do real, isso ocorre pelo imensurável número de subnotificações, ou seja, pessoas que não foram testadas para o coronavírus e apresentam o vírus em seu organismo, como o resultado, essas pessoas passam a ser “vetores de transmissão da doença” ao não tomarem as medidas de isolamento recomendadas para a contenção da disseminação do vírus, e como consequência, centenas de pessoas morrerão sem ao menos serem testadas.

 O número real de mortes em decorrência do coronavírus só poderá ser registrado após anos de pesquisas e levantamento de dados de mortes nesse período.

No Brasil, os números de infectados passam dos 25.262 mil e mais de 1.532 mil mortes registradas, contundo, o país vem sofrendo com as subnotificações, entre os países com maior número de infectados, o país ocupa a última colocação, com 296 testes por milhão de habitantes, enquanto o Irã, o segundo que menos testa entre os mais afetados, faz 2.755 por milhão, como aponta o jornal o globo.

Esses números são de longes catastróficos, mas fruto da nossa incapacidade de produção de testes em larga escala (efeito da negligência e cortes que há anos vem sendo realizados nas universidades e instituições de pesquisa, que poderiam contribuir para produção de testes em larga escala).

Diante da crescente proliferação do vírus em nosso país (que só tem testado pessoas que precisaram de suporte médico, que tiveram contatos com infectados e profissionais de saúde) cabe-nos a pensar, o que a população vem pensando sobre o atual momento, e quais suas consequências para o futuro.

Nesse sentindo, aplicou-se um questionário online (alternativa viável em tempos de isolamento social) para tentar entender o posicionamento da população frente ao coronavírus. Essa pesquisa contou com sete perguntas subjetivas e uma dissertativa, aplicadas entre os dias 11 a 14 de abril de 2020, contando com o número de 164 respostas (questionário aplicado no Estado do Pará).

Cerca de 93,3% das pessoas que responderam ao questionário, afirmaram que sabem o que significa Covid -19 (Coronavírus) enquanto 6,7% das pessoas, disseram que não sabem. Esse número decai um pouco, quando perguntadas se tem clareza dos sintomas, 92,1% disseram que tem clareza, em contraste com 7,9% que disseram que não tem.

Quando perguntadas como o vírus se propaga, 98,8% responderam que sabem como ocorre e apenas 3,7% disseram que não sabem como ocorre a propagação dos vírus. Sobre métodos de preservação e cuidados com a saúde pública, cerca de 96,3% afirmam que conhecem algum método, enquanto, 3,7% que não. 97% das pessoas que responderam ao questionário afirmaram que tem adotado medidas de prevenção, enquanto 3% que não.

A priori, quem olha a pesquisa, pensa que em suma, a população tem clareza, quanto à pandemia e suas medidas de contenção, contundo, é importante frisar, que a pesquisa foi realizada online, e mesmo com os avanços nos meios de informações, muitas pessoas nas periferias não tem acesso a está, isso mostra o grande número de aglomerações de pessoas nas feiras, mercados, praças e outros pontos desses locais, em outros tempos, essa pesquisa seria feita em contato com as pessoas, em inúmeros pontos, tentando capturar com melhor nitidez a realidade, contundo, em tempos de isolamento social, foi à medida viável a ser adotada.

Outras perguntas contidas no questionário, dizem respeito à atuação do governador do Estado do Pará e do presidente do Brasil. Nesse sentindo, cerca de 45,1 % afirmaram que as medidas tomadas pelo governador do Estado são boas, seguidas por 38,4% excelente, 13,4% bom, 2,4% ruim e 0,6 horrível. As mesmas opções foram direcionadas ao presidente do País, chegando a 53,7% apontando que seu posicionamento frente à pandemia foi horrível, seguido de 20,7% ruim, 13,4% moderado, 9,8% bom e 2,4% excelente.

Na pergunta dissertativa (Como você define o atual momento e como vem sendo atingido no seu cotidiano desde a chegada do vírus no Brasil?), palavras como difícil, caos, catastrófico, complicado, nada bom, mudanças de rotina, isolamento, lastimável, atraso, dentre outras, tomaram conta das respostas.  Uma parte das respostas direcionaram-se as mudanças contidas em seu dia-a-dia, com o isolamento social. Outras se debruçaram sobre como a pandemia vem agravando problemas já existentes em nosso país, como a pobreza, péssimas condições de saúde e educação. A economia foi outro tema, que permeou as respostas, com a preocupação sobre, emprego, renda, como o país vai se recuperar, e as incertezas que são frutos do atual momento.

Aqui estão algumas respostas:

  • Catastrófico o cenário atual, atingiu totalmente o meu cotidiano, principalmente financeiramente.
  • O Brasil vivia um momento delicado economicamente. Agora o Brasil ainda está sendo assolado por uma crise sanitária, social, humana e política; por via dos embates desnecessários sobre os devidos procedimentos devidos de contenção, frente o corona. Desta maneira, o caso da Corona agrava outras mazelas que o Brasil não estava tendo um grande enfoque. Dentre isso, o estado é muito mais que crítico no país (assim como em todas as nações atingidas, mas na nossa com agravantes pertinentes a nossa situação e instabilidade como nação.) e de indispensável mudança de postura. Atualmente encontro-me em quarentena, saindo unicamente para compra de itens e utensílios indispensáveis para mínimo e digno subsídio (alimentos, artigos de limpeza, entre outros.), para não acarretar no minha infecção pelo vírus e um posterior contágio em larga escala.
  • Estamos num momento de prevenção, onde infelizmente precisamos fazer apenas as atividades essências e criar novos hábitos. No entanto algumas pessoas ainda não entendem a real situação pela qual estamos passando, pelo fato do Brasil não ter uma política e ensino de prevenção de crise.
  • O momento é de preocupação mundial, onde uma pandemia dessa escala já atingiu a quase todos, mas muitos se negam a aderir ao isolamento social mesmo tendo condições para tal. Outros se pautam nas ações irracionais do presidente como forma de minimizar a realidade. A contenção da população com sanções é a única forma de garantir a saúde de todos
  • O momento atual está complicado e contraditório não só pela parte política como também entre as pessoas devido a não clareza sobre o vírus e o impacto dele na sociedade. E no cotidiano mudou totalmente a partir que adotamos a medida de isolamento, tivemos que reinventar na parte de trabalho e estudos.
  • Defino o momento como um estado de incerteza, principalmente quanto ao futuro pós superação a pandemia. A cerca de como tem me afetado, o Isolamento é desconfortável, porém necessário. O que me prejudica são as consequências que tudo isso causará ao andamento da minha formação na universidade.
  • O atual momento se defini como extremamente preocupante, partindo do princípio que o número de casos só aumenta e a população não parece se conscientizar. Com isso, as medidas do isolamento social se tendem a se estender ainda mais, aumentando a minha angustia e ansiedade a cerca da situação, acarretando um adoecimento e cansaço mental, não muito bem vindo:/
  • Meu cotidiano mudou totalmente, visto que não saio de casa a quase 1 mês se não me engano e esse momento está sendo estressante ainda mais quando o presidente basicamente não liga para o povo mas sim para o mercado.
Nelson Gabriel

Nelson Gabriel

Sobre o Autor Professor Mestrando em Geografia Pela Universidade Federal do Pará

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