A maior terra indígena do Brasil ameaçada pela Covid – 19

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Fonte: Victor Moryama / Isa / Victor Moriyama/ Isa

Os Yanomami se distribuem ao Norte da região Amazônica e, no Brasil, a terra indígena equivale a 9.664.975 de hectares da floresta tropical e a uma população, segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena, de 26.780 pessoas em 2019.

Historicamente, os Yanomami sofreram com epidemias devastadoras, como a gripe, sarampo, tuberculose, que foram introduzidas por missionários e, a COVID–19, representa uma tragédia anunciada entre as comunidades devido, sobretudo, aos garimpos ilegais.

Desde a década de 80, os Yanomami convivem com a presença de garimpos ilegais em suas terras e, mesmo com o seu território já demarcado, essa atividade ainda impacta essas populações.

Atualmente, existem mais de 20 mil garimpos que ocupam irregularmente o território yanomami, o que suscitou uma reação das entidades indígenas, as quais criaram a campanha #ForaGarimpoForaCovid, junto a uma petição virtual, com o recolhimento de assinaturas, a fim de mobilizar a sociedade e pressionar o governo brasileiro para ações de desintrodução dos invasores e dos riscos de infeção.

Essas ações são fundamentais para que os Yanomami possam fazer o isolamento social e barrar o fluxo da transmissão do vírus, visto que um relatório recente denota em um pior cenário, que 40% dos Yanomami que residem em áreas de garimpo, podem ser infectados, e essa estimativa associada à configuração social das comunidades, como: moradias de caráter coletivo, antecedentes de alta morbidade devido às infecções respiratórias e a sucateada estrutura de saúde local, alerta para um agravamento.

Assim, uma problemática de cunho histórico se transformou em uma pauta de saúde pública e a “urihi” – a terra-floresta –, tratada por eles como uma entidade viva e não um simples lugar de exploração econômica se tornou um refúgio para os indígenas, pois na tentativa de escapar da “xawara”, forma como expressam a pandemia, muitos estão indo para o interior da floresta e vivem da caça, pesca e frutas, enquanto, a inércia governamental engendra um cenário avassalador na sociedade brasileira.

 

Randerson Sousa

Randerson Sousa

Graduando em Medicina, pela Universidade do Estado do Pará. Membro do Grupo de Estudos em Bioantropologia do Estado do Pará.

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