A importância do Transporte coletivo e uso de tecnologias para o incentivo da mobilidade urbana

A mobilidade urbana vem sendo um dos grandes desafios das gestões das cidades por todo o mundo. Com isso, ao longo das últimas duas décadas o transporte coletivo de passageiros têm ganhado destaque como um grande possibilitador do alcance de uma mobilidade urbana esperada. Entretanto, a falta de políticas públicas e o atraso de investimentos por parte do setor privado que em maior parte dos casos gerencia e fornece este serviço, tem causado baixos resultados no objetivo primário do transporte coletivo de passageiros: transportar pessoas com segurança, conforto e agilidade. Na capital do Estado do Pará, o cenário está tendendo a mudar ao longo desta década com a implantação de sistemas e tecnologias que possibilitam que as empresas prestadoras de serviço e os órgãos gestores possam ter informações mais precisas do transporte coletivo para que as medidas que venham a progredir a prestação de serviços sejam aplicadas em soluções para a mobilidade urbana na cidade de Belém do Pará.

A importância do Transporte Coletivo


Para Torbi (2014) e Vasconcellos (2013), a caracterização da qualidade de vida de uma sociedade e, por conseguinte, do seu grau de desenvolvimento econômico e social, depende das características dos sistemas de transporte de passageiros, ou seja, da facilidade de deslocamento de pessoas. Da mesma forma, pode-se dizer que o nível de desenvolvimento econômico e social dessa sociedade está atrelado às características dos sistemas de transporte de cargas, isto é, às facilidades de deslocamento de mercadorias. As atividades comerciais, industriais, educacionais e de lazer – que são imprescindíveis à vida nas cidades
contemporâneas – somente são praticáveis com o deslocamento de pessoas e mercadorias. Com isso, o transporte urbano é tão importante para a qualidade de vida da sociedade quanto os serviços de abastecimento de água, coleta de esgoto, suprimento de energia elétrica, educação, saúde e segurança pública.

Em todos os países do globo, os temas associados à oferta de um transporte urbano apropriado estão sempre presentes nos debates sociais, já que a maioria da população vive nas cidades. No Brasil, por exemplo, de acordo com o IBGE (2014), mais de 80% da população habita as cidades. Com isso, dos cerca de 202 milhões de habitantes da nação, 161 milhões utilizam os sistemas de transporte urbano. E este número tende a crescer todo ano, com o aumento da população economicamente ativa.


Para Torbi (2014) e a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP, 2016), os motivos de viagem que levam as pessoas a se deslocarem são variados, tais como: trabalho, estudo, compras, lazer e outras necessidades específicas (banco, órgãos públicos, tratamento de saúde). Por sua vez, o deslocamento de carga nas cidades ocorre pelos seguintes motivos: coleta de lixo, entrada de insumos nas fábricas e obras, saída de produtos acabados das fábricas, entrada e saída de mercadorias de estabelecimentos comerciais, movimentação de terra, transporte de mudanças, entre outros.

Mas, para que haja a movimentação de pessoas e de cargas, existem os denominados modos de transporte, que representam a modalidade ou a maneira de se efetuar o deslocamento. Encontram-se vários modos de transporte de passageiros no meio urbano: a pé, de bicicleta, montados em animal, em veículo tracionado por animal, com motocicleta ou congêneres, de carro, de van, de ônibus, por trem, bonde, embarcação, helicóptero, entre outros. Já o transporte de cargas nas cidades, pode ser realizado por: caminhões, camionetas e congêneres, carros, vans, veículos tracionados por animal etc.

Segundo Torbi (2014) e Ferraz (2004), a experiência, em linhas gerais, aponta no sentido de que a operação do transporte público urbano deve ser realizada por empresas privadas, sendo que o planejamento e a gestão – incluindo a regulamentação, administração, fiscalização e programação da operação – pelo poder público. As empresas privadas mostram, na maioria dos casos, maior eficiência em relação às empresas públicas, sendo, com isso, mais apropriadas à realização da operação do transporte público. Já o seu planejamento e a gestão devem ser realizados pelo governo municipal, uma vez que o transporte coletivo urbano apresenta grande influência na qualidade de vida, na justiça social, na ocupação e uso do solo, nas atividades comerciais e, enfim, na eficiência econômica das cidades. Do outro lado, a ausência de planejamento e gestão prejudica a eficiência e a qualidade do transporte coletivo, degrada a qualidade de vida da comunidade e é capaz de levar os operadores a uma competição predatória, causando a desordem econômica e legal do sistema.


A Mobilidade Urbana


Segundo o parágrafo primeiro do Artigo 1º do Código de Trânsito Brasileiro:
§ 1º Considera-se trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga. (BRASIL, 1997)


Podemos dizer que o trânsito ocorre quando existem necessidades de deslocamento das pessoas para trabalhar, estudar, realizar negócios, para o lazer, entre outras finalidades, e decorre da ocupação do solo pelos diferentes usos. Cabe ao governo das cidades a responsabilidade de garantir ao cidadão o seu direito de ir e vir, de forma segura e
preservando a sua qualidade de vida. Também é das cidades que devem partir as iniciativas que busquem diminuir os níveis de congestionamento e seus efeitos na mobilidade urbana.


Podemos definir a mobilidade urbana como sendo o deslocamento de pessoas e bens dentro do espaço das cidades. Esta mobilidade (movimentação) significa de uma forma geral a facilidade de locomoção por meio de ônibus, trem, metrô, bicicleta, ou seja, está relacionado com toda uma estrutura e opções disponíveis para fazermos as nossas atividades. Também pode ser destacado que a mobilidade urbana inclui uma estrutura que forneça acessibilidade aos deficientes (físicos e visuais) e outra coisa importante que muitas vezes passa despercebido por nós é a importância das calçadas e a sua contribuição para a mobilidade.


A mobilidade urbana pode ser explicada com alguns exemplos:
• Quando pegamos um ônibus e ele nos deixa em nosso destino dentro do tempo previsto e com a qualidade na forma em que o transporte é realizado;
• É poder utilizar o transporte público para realizar o trajeto de casa ao trabalho, ou para a escola e o lazer, permitindo deixar o carro em casa;
• É o transporte utilizado por um fornecedor e um cliente, realizado dentro do tempo previsto, obedecendo às regras locais de trânsito e chegando ao seu destino com qualidade;
• É permitir que o transporte de cargas seja realizado de forma que a cidade possa ser adequadamente abastecida e que o fluxo de mercadorias seja feito de forma a minimizar o impacto desta movimentação no trânsito local;
• É ter um trânsito que cause o mínimo de impacto na perda de tempo devido a paradas e congestionamentos.
De forma clara e objetiva, a mobilidade urbana é poder ir aos lugares que você deseja de forma segura e efetiva. É saber que ao entrar em um transporte público, você chegará ao seu destino com segurança e no horário desejado.


2.3 Tecnologia para o setor de transporte coletivo


O processo de inovação é um movimento natural que ocorre em todas as áreas, e geralmente traz melhorias, pois é pensado para este fim. Na medicina, por exemplo, a inovação é sempre bem-vinda e é evidente com a descoberta de tratamentos mais eficazes na cura de doenças. Na indústria, a modernização se faz necessária, apesar de o processo de robotização poder eventualmente assustar, ao reduzir postos de trabalho, mas, na verdade, há uma espécie de migração dessa mão de obra para outras áreas.


É o processo de criação de algo novo ou de melhoramento de algo existente. Pode ser um produto ou uma forma de trabalho, por exemplo. No caso dos veículos de transporte de cargas e passageiros, a inovação é vista com a instalação de itens novos, frutos de estudos e pesquisas que comprovem o seu benefício. É fundamental esse processo no desenvolvimento de novos veículos, tornando-os mais seguros e confortáveis, além de estarem mais adequados às necessidades do setor.
A inovação deve ser um processo contínuo, pois, caso contrário, a novidade de hoje torna-se obsoleta rapidamente. Por analogia, o mesmo processo deve ocorrer com os profissionais que conduzem os veículos, que necessitam também inovar em sua forma de conduzi-lo, utilizando cada vez mais os conceitos da direção preventiva e segura, condução econômica, entre outras, com objetivo de usufruírem e se atualizarem permanentemente a respeito das novas tecnologias existentes.
É comum associarmos inovação à tecnologia, mas não são sinônimos. Os processos de inovação, muitas vezes, envolvem os avanços tecnológicos, mas isso, não necessariamente, ocorre sempre.
A tecnologia utilizada hoje nos veículos, principalmente nos de transporte coletivo, é algo cada vez mais surpreendente. Normalmente, as primeiras pesquisas e aplicações são feitas para os veículos de competição, como os carros da Fórmula 1, Fórmula Indy ou da Fórmula Truck, depois passam para os veículos de luxo e esportivos de alto desempenho e, por fim, são incorporadas aos carros de passeio e aos ônibus. Já o termo tecnologia embarcada representa todas as tecnologias (equipamentos, programas de computador e sistemas de gestão envolvidas no transporte).


Uma das tecnologias embarcadas seria a telemetria. A tradução literal seria medição à distância. E, no caso específico dos veículos, é a tecnologia de transmissão de dados de forma remota. Veja alguns exemplos de informações que podem ser enviadas: dados referentes ao consumo de combustível, velocidade, rotação do motor, distância percorrida, entre outros. A utilização da telemetria facilita o trabalho com a gestão da frota, operação e planejamento das manutenções dos veículos.
A gestão de riscos conhecida também como gerenciamento de riscos. É a atuação na prevenção e no planejamento da frota. Contempla, também, o plano contingencial, listando quais as providências a serem tomadas caso ocorra algum problema ou acidente.

Trata-se de um conjunto de ações, baseadas em conceitos de inteligência, ou seja, estuda-se a operação, faz o mapeamento de todas as variáveis envolvidas e trabalha-se para eliminar ou minimizar os fatores de riscos. Normalmente a gestão de riscos envolve a instalação de sistema de rastreamento de frotas, capacitação permanente dos condutores, atuação mediante roteirização, controle e avaliação de avarias. Tudo isso de forma sistematizada e formalizada em documentos. Além das ações citadas, o gerenciamento de riscos pode envolver também a escolta da frota e a contratação de seguros para o veículo, carga e motorista.


Os sistemas de rastreamento são mais completos, pois, além de possibilitarem o bloqueio, permitem saber a localização do veículo de forma mais precisa, pelo uso do GPS. Possibilitam, também, o seu monitoramento em tempo real, informando velocidade, rotas realizadas, distância percorrida, cálculo do tempo até o destino, entre outros relatórios. É com a utilização do sistema de rastreamento que é possível utilizar os recursos como: cerca eletrônica, botão de pânico, trava da quinta roda, entre outros itens que podem monitorar diversos sensores instalados.


Além dos sistemas apresentados anteriormente, existem outras tecnologias embarcadas complementares, tais como: botão de pânico (dispositivo instalado em local discreto, porém de fácil acesso do condutor, para enviar alerta à central de rastreamento em uma situação de emergência, como uma tentativa de assalto ou sequestro); computador de bordo (faz o controle de uma série de itens do veículo, com objetivo de melhorar a gestão, desempenho e diminuição do consumo de combustível. Além de dados básicos, como controle de quilômetros rodados geral e parcial, faz controle da temperatura dos lubrificantes, carga e rotação do motor, controle de consumo de combustível por motorista (quando o veículo é utilizado por mais de um condutor), entre outras informações); módulo de integração (Equipamento que faz a interação de dados entre o condutor e a central de monitoramento, por meio de mensagens escritas ou já pré-programadas. Composto de uma pequena tela (display), teclado e conjunto integrado); cerca eletrônica (recurso importante, no qual se define uma determinada rota, e, caso o veículo saia do percurso traçado, o gestor da frota é comunicado na hora, através do celular ou da internet); sistema de mapeamento de linha (esta é uma tecnologia específica para ônibus. Com ela, será possível fazer o controle dos veículos e definir horários exatos de chegada aos pontos de parada, beneficiando todos os usuários que utilizam esse tipo de transporte).


O que esperar para o futuro?


Com todas estas mudanças começando a dar seus primeiros passos ainda em muitas cidades brasileiras, como Belém, por exemplo, podemos esperar um transporte público mais inteligente. O uso das tecnologias, tanto as embarcadas nos veículos quanto as disponibilizadas de forma online para gestores e usuários, trazem um cenário de maior eficiência do transporte nas cidades, promovendo melhor gerenciamento das viagens realizadas pelos modais de transporte, maior transparência e acessibilidade para os passageiros que poderão efetuar recargas online e visualizar a localização em tempo real do transporte.

Os sistemas de gestão de frota, de forma geral, possibilitam que as empresas, ou grupo de empresas, possam ter tomadas de decisões em tempo real, assim corrigindo ou inibindo possíveis falhas na operação. Os resultados a médio e longo prazos são evidentes, visto que quando se faz o devido uso das informações geradas pelo sistema de gestão, a operação ganha confiabilidade, frequência e profissionalismo, que são alguns dos principais motivos que levam as pessoas optarem ou não ao uso do transporte coletivo.


Para encerramento da discussão, é importante colocar o devido papel da gestão de frota quanto a mobilidade urbana. A mobilidade urbana é fortalecida quando há uso preferencial pelo transporte coletivo, pela capacidade de transportar certa quantidade de pessoas de uma só vez. Com isso, quanto mais pessoas optarem a tendência é que a quantidade de veículos circulando também diminua. Com o devido uso do sistema de gestão de frota as empresas conseguem otimizar suas respectivas viagens, com isso geram maior satisfação por parte dos usuários e maior receita. Com maior disposição de receita, as empresas podem investir na prestação de serviços, como renovação de frota e capacitação dos colaboradores. Com este cenário montado, a população de modo geral passa a visualizar o transporte coletivo em excelente relação custo-benefício, assim aumentando a demanda. Seguindo a tendência a quantidade de veículos circulantes diminuem, a poluição do ar também, e com isso os congestionamentos diminuem e a qualidade de vida da população aumenta.


Pode parecer até um cenário abstrato, mas é realidade em muitas capitais, como Londres, por exemplo. O transporte coletivo deve ser um atrativo e não a única alternativa. Os sistemas de gestão de frota trazem essa possibilidade para que as empresas de transporte coletivo em Belém possam de fato pertencerem a era da informação, as utilizando para otimização dos serviços prestados e aumento de demanda, além de contribuir diretamente para qualidade de vida social e mobilidade urbana.

Pedro Lelis

Pedro Lelis

Administrador de empresas; Consultor em Transporte Público e Mobilidade Urbana; Acadêmico em Ciências econômicas pela UFPA; Pós graduando em Gestão de Projetos.

Deixe uma resposta