A ideia de um Governo anticorrupção desMOROnou

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Foto: Adaptação JRN.

Moro joga a toalha após reunião com o Bolsonaro

Confirmou-se na manhã de sexta (24) a saída do ex-ministro da justiça Sérgio Moro. Isso se desencadeou após tomar ciência da eminente saída do diretor geral da PF, Maurício Valeixo. Decisão que externou mais uma contraposição entre Moro e o atual presidente da república, situação incômoda e que pode ser classificada como recorrentes diante dos últimos acontecimentos.

O episódio mais recente dentro desse paradigma seria a defesa as medidas de mitigação e recomendações dadas por órgãos competentes; políticas públicas baseadas justamente em estudos científicos e refutadas pelos conhecimentos empíricos, completamente paradoxal.

— Nós estamos vivenciando uma experiência nova, o mundo inteiro, que é o desafio representado por essa pandemia, e a orientação técnica tem sido no sentido de que para diminuir a expansão da doença é necessário diminuir o contato social. – Afirmou Moro. Discurso esse que estava indo ao encontro das ações do ministério da saúde, até aquele momento, e entrando em conflito com o comportamento de Jair Bolsonaro.

O instituto Datafolha divulgou no final de 2019 que o juiz responsável por conduzir inicialmente a operação lava jato se constituía como o mais bem avaliado dentre todos os ministérios do governo federal. 53% dos entrevistados viam como ótima/boa sua gestão à frente da pasta, enquanto de acordo com o levantamento apenas 30% contemplavam como boa/ótima a atuação do presidente da república.

Os Supostos Crimes de Bolsonaro denunciados por Moro

O pronunciamento que culminou com o pedido de demissão de Moro do cargo de ministro da justiça, foi responsável por instauração de inquérito por parte da PGR. No documento que expõe na integra o discurso de Sérgio Moro, estariam sendo reveladas práticas de ilícitos, referindo sua prática ao presidente da República.

No documento consta os possíveis delitos:  falsidade ideológica (art. 299 do Código Penal; coação no curso do processo (art. n44 do CP); advocacia administrativa (art. n21 do CP); prevaricação (art. n19 do CP); obstrução de Justiça (art. 1º, § 2º, da Lei 12.850/201n) corrupção passiva privilegiada (art. n13, § 2º, do CP) ou mesmo denunciação caluniosa (art. nn9 do Código Penal); além de crimes contra a honra (arts. 1n8 a 140 do CP).

O procurador da República Augusto Aras aponta a necessidade de se investigar os possíveis crimes. Exigindo que Sergio Fernando Moro, manifeste-se de forma detalhada sobre os termos do pronunciamento, com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão.

Durante a exibição do Jornal Nacional de Sexta-feira (24), o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro revelou trocas de mensagens na qual o presidente Jair Bolsonaro cobra a troca do comando da Polícia Federal após citar uma investigação envolvendo aliados do governo.

Os crimes de Sérgio Moro

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Fonte: UOL

Acusado de ser “capanga de miliciano”, pelo deputado Glauber Braga, Sérgio Moro cometeu diversos crimes durante suas funções como juiz e nos 16 meses no ministério da justiça.

Entre os crimes cometidos pelo ex-ministro durante exercer sua função no governo estão, o crime de prevaricação, o de omissão, e o de advocacia administrativa. Moro prevaricou no caso do laranjal do PSL; prevaricou em relação ao atentado terrorista do militante do PSL contra a sede do Porta dos Fundos e permitiu a fuga do criminoso do país; prevaricou na investigação do tráfico internacional de armas por Ronnie Lessa, vizinho de Condomínio de Bolsonaro e acusado do assassinato de Marielle e Anderson, entre outros.

Anteriormente Moro já havia sido denunciado pelo The Intercept Brasil por participar de um esquema criminoso com Deltan Dallagnol. Entre as muitas articulações entre Moro e Deltan estão: Moro sugeriu a troca de ordem das fases da Lava Jato, cobrou novas operações, deu conselhos e pistas e testemunhas aos procuradores, além de antecipar decisões; Dallagnol acertou reunião com Moro para, junto à Polícia Federal, definir planejamento da força-tarefa.

O ex-ministro também agiu para evitar que o ex-deputado Eduardo Cunha fizesse um acordo de colaboração premiada; mentiu a Teori Zavascki para manter os casos da Lava-Jato em seu poder, em Curitiba; a Lava Jato fingiu investigar Fernando Henrique Cardoso (PSDB) apenas para criar percepção pública de ‘imparcialidade’, e Moro repreendeu: ‘Melindra alguém cujo apoio é importante’.

Tudo isso mostra dúvidas quanto a lisura do julgamento do então juiz nos casos que ele sentenciou na 13ª Vara Federal de Curitiba.

Quem ainda apoia Bolsonaro?

A boiada está debandando! Moro sai do ministério, levando consigo uma legião de bolsonaristas, que agora iniciam a campanha Moro2022. Em pronunciamento às 17h, Bolsonaro demonstrou seu despreparo em dar satisfações coerentes quanto as acusações feitas por Sérgio Moro.

As tentativas de proteger os filhos, que são alvos de duras investigações, demonstram a ausência de credibilidade do Presidente diante do seu eleitorado. E agora há o rompimento com a ideia de um político honesto, que luta contra a corrupção.

Bolsonaro ainda foi alvo de críticas pesadas por parte de vários representantes políticos durante toda a sexta-feira. O governador do estado de São Paulo João Dória, afirmou em coletiva que o Brasil luta contra dois vírus, o coronavírus e o vírus que ocupa o cargo de presidente. Já o ex-presidente da república Fernando Henrique Cardoso escreveu em sua rede social, que Bolsonaro cavou sua própria fossa. Sim, FHC utilizou a palavra fossa, que talvez seja o único lugar adequado para comportar o atual presidente.

Por isso, é difícil saber quantos apoiadores ainda estarão com o Presidente, mas fica mais fácil traçar o perfil dos mesmos.

Reflexões políticas a sociais.

Cabe, por ora, uma reflexão bastante perspicaz no que se refere ao atual cenário do país sobre o cerceamento dos direitos individuais e coletivos no tocante a autonomia das instituições. Há uma ânsia de Jair pelo controle total e irrestrito de informações e todas as entidades que se opuseram ao presidente ou lançaram informações que trouxessem subsídios para uma possível crítica ao governo, se é que isso pode ser classificado como governo, tiveram como consequências sanções, restrições ou mudanças no seu corpo técnico.

Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas e Ministério da Saúde em dadas circunstancias manifestaram uma contraposição ao presidente e coincidentemente tiveram seus líderes trocados de forma abrupta. Oportuno destacar que as citadas instituições andam de mãos dadas com os métodos científicos, buscando usar a ciência como uma ferramenta de suporte técnico para avanços sociais; enquanto o líder do executivo prefere basear suas prospecções no empirismo e senso comum.

Percebe-se também comumente a obsessão do presidente em conclamar a população ao ceticismo diante das informações divulgadas pela impressa, conduzindo seus seguidores a confrontar a opinião pública nacional e elencar isso como uma perseguição política. Todavia outros jornais internacionais publicaram artigos reafirmando a inaptidão de Bolsonaro para ocupar a presidência da república. Os questionamentos que permanecem após isso giram em torno da autonomia da Polícia Federal, será que ela se tornará um objeto político nas mãos do governo? Qual a necessidade gerenciar mais uma crise em meio a pandemia global que o país enfrenta?

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