A hipocrisia da solidariedade ou a solidariedade da hipocrisia?

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Foto: Jefferson Bottega/ Zero Hora.

Desde quando o mundo foi surpreendido pela pandemia do novo Coronavírus ou SARS-II os mercados entraram em estágio de “paralisia”. A exploração da força de trabalho pelos detentores dos meios de produção também ficou comprometida, sobretudo, pelas iniciativas de alguns governos em implementar políticas de isolamento social ou quarentenas vistas nesse momento como única medida de precaução à contaminação pelo vírus.

Todavia, esse isolamento social impôs uma barreira ao consumo e consequentemente à circulação de mercadorias. Nos últimos 40 anos o mundo experimenta na prática os efeitos perversos da política neoliberal com limitações aos serviços de habitação, educação, seguridade social, direitos trabalhistas e saúde pública.

A atual crise forçou o Estado a agir como agente interventor para impedir uma catástrofe maior no que diz respeito a saúde da população. Países como EUA, França e Alemanha estão destinando parte de seus PIB´S para a transferências de renda, respectivamente, 6,2%, 12% e 17%. De fato, a Pandemia COVID-19 veio não apenas provar a ineficiência do Neoliberalismo, mais também, à importância do Estado preservação e manutenção das políticas sociais.

De repente, as grandes potencias passaram fazer planejamento econômico destinando bilhões e até trilhões (no caso da Alemanha) para o enfrentamento à Pandemia da SARS-II ou COVD-19. Uma mudança de comportamento dos Estados que surge como uma ironia do destino à globalização neoliberal.

Todavia, nos últimos anos o neoliberalismo promoveu uma crescente financeirização econômica deixando o sistema capitalista mais vulnerável às crises. Em países como o Brasil, o Estado anunciou um pacote de 700 bilhões de reais que serão injetados na economia para salvar os brasileiros de uma das piores crises da história do capitalismo. Seria outra ironia do destino? Logo o Brasil que tinha um projeto neoliberal como princípio de gestão, onde o governo defendia a desestatização, maior participação da inciativa privada e redução dos gastos públicos com seguridade social.

Foi no Brasil também, que a classe média se mostrou solidária com os milhares de trabalhadores que poderão ficar sem seus empregos. A classe média e alguns empresários também demostraram preocupação com os trabalhadores informais, sobretudo, os pobres ambulantes. Em um ato solidário eles saíram em carreata usando máscaras e álcool em gel, protegidos pelo ambiente interno de seus carros.

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Foto: Jefferson Bottega/ Zero Hora.

Uma manifestação que pedia imediatamente a abertura dos comércios e o fim do isolamento social. Assim, trabalhadores voltariam as rotinas cotidianas de utilizarem metrôs e ônibus superlotados sem se considerar o alto risco de uma contaminação em massa que atingisse grande parte da população periférica, ou seja, justamente aquela mais maltratados pelo neoliberalismo.

Uma população vulnerável que depende do Sistema Único de saúde (SUS) para tratar de suas doenças. De fato, o desejo de reacionários da extrema-direita em oferecer o pobre como sacrifico para salvar a economia parte de um cinismo que mostra um desvio caráter desumanidade.

Devemos tirar como uma grande lição disse tudo: é que a solidariedade para alguns só lhes serve quando lhes é conveniente. Compreender o verdadeiro significado da palavra SOLIDARIEDADE não é para qualquer um. E além disso, ter humanidade e defender a justiça social jamais foi a bandeira da Extrema-Direita Reacionária nesse país. Reacionários no Brasil continuarão a pedir intervenção militar e AI-5 e encerro esse texto parafraseando o guru deles Olavo de Carvalho, que defende essa ideia não passa de um imbecil coletivo.

Aiala Couto

Aiala Couto

Doutor em Ciências do Desenvolvimento Socioambiental pelo Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Sustentável do Trópico Úmido (PPGDSTU-NAEA-UFPA);

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