13 de maio de 1888. Abolição?

Há 132 anos, a Princesa Regente, pressionada pelos políticos ditos “abolicionistas”, mas muito mais pelos interesses comerciais dos donos do mundo da época, os ingleses, na ausência do Imperador, finalmente assinou a famosa “Lei Áurea”, num gesto de aparente bondade e muita política.


Que Abolição foi aquela?


Mais de um milhão de escravos foram jogados às ruas, desligados das fazendas e da “proteção ” da Casa Grande, e nem senzala tiveram mais para encostar seus corpos cansados e sofridos. Quase a metade da população do Brasil de então era de escravos ou negros libertos antes da lei, ou descendentes mulatos.


Uma massa faminta, desempregada sem nunca ter tido emprego, desqualificados na sua maioria, agora “libertos”.


Libertos de que?


Onde as medidas de proteção social, educação, qualificação profissional?
Quem os reteve com salários dignos, assistência médica, moradia digna?
Quem os acolheu de verdade? Talvez uma minoria insignificante de ex-senhores.


Os proprietários tiveram polpudas indenizações do império, isenção de impostos, compensações de terras e comendas. E aos negros “libertos”, nada há não ser abandono e desolação.


Então em 13 de maio, festejar o quê?


Desta dita “Abolição” resultaram os desvalidos, as favelas, a mão de obra barata explorada por mais de um século.  Podemos festejar hoje a aparição de Nossa Senhora de Fátima (para os católicos) ou o dia dos Pretos Velhos (para umbandistas).
Abolição? Um engodo!


Ainda esperamos por ela até hoje.


E não sei por quanto tempo mais!

Dr. Jorge Coelho

Dr. Jorge Coelho

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Amazonas, 1981; Possui Especialização em Geriatria e Gerontologia, Medicina do Trabalho e Saúde Coletiva pela Universidade do Estado do Pará (UEPA); Mestrado em Educação em Saúde na Amazônia, pela UEPA; Docente no curso de medicina da UEPA, de 2001 a 2019, no Módulo de Estratégia Saúde da Família; Coordenador do Curso de Medicina da UEPA no biênio 2008/2010; Supervisor de área do Programa Mais Médicos para o Brasil, em Belém, 2017/2018; Docente no Curso de Medicina do Centro Universitário do Pará (CESUPA) desde 2006, nos módulos de Interação em Saúde da Comunidade MISC, (primeiro e quarto semestre) e de Internato em Saúde do Idoso (décimo primeiro semestre).

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